Vamos conhecer um pouco da história da ancestralidade do cabelo afro e porque tem esta forma?
Como a mãe natureza é inteligente!
Por que os negros têm os cabelos mais encaracolados que os
brancos?
Esse tipo de cabelo é uma característica de populações que,
durante a evolução, habitavam regiões de clima quente. O cabelo bem crespo
consegue manter uma camada de cerca de 5 centímetros de ar entre a cabeça e o
ambiente, protegendo a pessoa do calor. Como isso é hereditário, mesmo migrando
para regiões menos quentes, ainda por bastantes tempo os negros manterão essa
tipo de cabelo.
A escritora Ayana D. Byrd e a jornalista Lori L.Tharps
(2001) registram que no início do século XV, o cabelo funcionava como um
condutor de mensagens na maioria das sociedades africanas ocidentais. Muitos
integrantes dessas sociedades, incluindo os Wolof, Mende, Mandingo e Iorubás, foram
escravizados e trazidos para o Novo Mundo.
Nessas culturas o cabelo era parte integrante de um complexo sistema de
linguagem. Desde o surgimento da
civilização africana, o estilo do cabelo tem sido usado para indicar o estado
civil, a origem geográfica, a idade, a religião, a identidade étnica, a riqueza
e a posição social das pessoas. Em algumas culturas, o sobrenome de uma pessoa
podia ser descoberto simplesmente pelo exame do cabelo, pois cada clã tinha o
seu próprio e único estilo.
O significado social do cabelo era uma riqueza para o
africano. Dessa forma, os aspectos estéticos assumiam um lugar de importância
na vida cultural das diferentes etnias. Várias comunidades da África Ocidental
admiravam a mulher de cabeça delicada com cabelos anelados e grossos. Esse
padrão estético demonstrava força, poder de multiplicação, prosperidade e a
possibilidade de parir crianças saudáveis.
Um estilo particular de cabelo poderia ser usado
para atrair a pessoa do sexo oposto ou
como sinal de um ritual religioso. Na Nigéria, se uma mulher deixava o cabelo
despenteado era sinal de que alguma coisa estava errada: a mulher estava de
luto, deprimida ou suja. Para os Mende, um cabelo despenteado, desleixado ou
sujo implicava que a mulher tinha “perdido” a moral ou era insana.
A força simbólica do cabelo para os africanos continua de
maneira recriada e ressignificada entre nós, seus descendentes. Ela pode ser
vista nas práticas cotidianas e nas intervenções estéticas desenvolvidas pelas
cabeleireiras e cabeleireiros étnicos, pelas trançadeiras em domicílio, pela
família negra que corta e penteia o cabelo da menina e do menino. Pode ser
vista também nas tranças, nos dreads e penteados usados pela juventude negra e
branca. Se no processo da escravidão o negro não encontrava no seu cotidiano um
lugar, quer fosse público ou privado, para celebrar o cabelo como se fazia na
África, no mundo contemporâneo alguns espaços foram construídos para atender a
essa prática cultural. Os salões étnicos espalhados pelas mais diferentes
cidades e estados brasileiros apresentam-se como um dos espaços em que essa
celebração é possível. Será que ela também é possível na escola?
Assim, não é só por mera vaidade ou por não se sentirem
satisfeitos com a sua aparência que os negros e as negras dão tanta atenção ao
cabelo. Para o homem e a mulher negra, manipular o cabelo representa uma dentre
as múltiplas formas de expressão da corporeidade e da cultura, as quais remetem
a uma raiz ancestral. Nesse sentido, os penteados utilizados pelos negros da
diáspora e suas técnicas complexas mantêm uma certa inspiração africana, mesmo
que esta não esteja no plano da consciência. A presença da cultura negra no
Brasil, na qual insiro os penteados e a manipulação do cabelo, pode ser vista
dentro de um movimento de circularidade cultural. O fato de haver uma
circulação desses elementos da África para o Novo Mundo, e dele retornando e
influenciando, inclusive, a moda e o
estilo dos africanos contemporâneos, reforça a minha hipótese da profunda
capacidade de enraizamento da matriz africana na construção da cultura negra em
nosso país. Reitero que não há, no Brasil, nenhuma cópia ou reprodução literal
da cultura de matriz africana, mas sua recriação a partir da construção
histórica e social do negro da diáspora.
Encontramos no Brasil, a manipulação do cabelo através
dos cortes, tranças, penteados e diferentes estilos, e que esta pode ser
considerada um dos aspectos da cultura negra em nosso país.
Muito interessante, não é verdade?
E o nosso país é privilegiado porque as nossas negras e pardas são as mais lindas do mundo!
Um abraço forte.
Maísa



