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sexta-feira, 11 de abril de 2014

6- NEGROS, CABELOS E ANCESTRALIDADE

Olá!!! Como vai você?
Vamos conhecer um pouco da história da ancestralidade do cabelo afro e porque tem esta forma?
Como a mãe natureza é inteligente!


Por que os negros têm os cabelos mais encaracolados que os brancos?
Esse tipo de cabelo é uma característica de populações que, durante a evolução, habitavam regiões de clima quente. O cabelo bem crespo consegue manter uma camada de cerca de 5 centímetros de ar entre a cabeça e o ambiente, protegendo a pessoa do calor. Como isso é hereditário, mesmo migrando para regiões menos quentes, ainda por bastantes tempo os negros manterão essa tipo de cabelo.



A escritora Ayana D. Byrd e a jornalista Lori L.Tharps (2001) registram que no início do século XV, o cabelo funcionava como um condutor de mensagens na maioria das sociedades africanas ocidentais. Muitos integrantes dessas sociedades, incluindo os Wolof, Mende, Mandingo e Iorubás, foram escravizados e trazidos para o Novo Mundo.      Nessas culturas o cabelo era parte integrante de um complexo sistema de linguagem.    Desde o surgimento da civilização africana, o estilo do cabelo tem sido usado para indicar o estado civil, a origem geográfica, a idade, a religião, a identidade étnica, a riqueza e a posição social das pessoas. Em algumas culturas, o sobrenome de uma pessoa podia ser descoberto simplesmente pelo exame do cabelo, pois cada clã tinha o seu próprio e único estilo.
O significado social do cabelo era uma riqueza para o africano. Dessa forma, os aspectos estéticos assumiam um lugar de importância na vida cultural das diferentes etnias. Várias comunidades da África Ocidental admiravam a mulher de cabeça delicada com cabelos anelados e grossos. Esse padrão estético demonstrava força, poder de multiplicação, prosperidade e a possibilidade de parir crianças saudáveis.
Um estilo particular de cabelo poderia ser usado para  atrair a pessoa do sexo oposto ou como sinal de um ritual religioso. Na Nigéria, se uma mulher deixava o cabelo despenteado era sinal de que alguma coisa estava errada: a mulher estava de luto, deprimida ou suja. Para os Mende, um cabelo despenteado, desleixado ou sujo implicava que a mulher tinha “perdido” a moral ou era insana.
A força simbólica do cabelo para os africanos continua de maneira recriada e ressignificada entre nós, seus descendentes. Ela pode ser vista nas práticas cotidianas e nas intervenções estéticas desenvolvidas pelas cabeleireiras e cabeleireiros étnicos, pelas trançadeiras em domicílio, pela família negra que corta e penteia o cabelo da menina e do menino. Pode ser vista também nas tranças, nos dreads e penteados usados pela juventude negra e branca. Se no processo da escravidão o negro não encontrava no seu cotidiano um lugar, quer fosse público ou privado, para celebrar o cabelo como se fazia na África, no mundo contemporâneo alguns espaços foram construídos para atender a essa prática cultural. Os salões étnicos espalhados pelas mais diferentes cidades e estados brasileiros apresentam-se como um dos espaços em que essa celebração é possível. Será que ela também é possível na escola?
Assim, não é só por mera vaidade ou por não se sentirem satisfeitos com a sua aparência que os negros e as negras dão tanta atenção ao cabelo. Para o homem e a mulher negra, manipular o cabelo representa uma dentre as múltiplas formas de expressão da corporeidade e da cultura, as quais remetem a uma raiz ancestral. Nesse sentido, os penteados utilizados pelos negros da diáspora e suas técnicas complexas mantêm uma certa inspiração africana, mesmo que esta não esteja no plano da consciência. A presença da cultura negra no Brasil, na qual insiro os penteados e a manipulação do cabelo, pode ser vista dentro de um movimento de circularidade cultural. O fato de haver uma circulação desses elementos da África para o Novo Mundo, e dele retornando e influenciando,  inclusive, a moda e o estilo dos africanos contemporâneos, reforça a minha hipótese da profunda capacidade de enraizamento da matriz africana na construção da cultura negra em nosso país. Reitero que não há, no Brasil, nenhuma cópia ou reprodução literal da cultura de matriz africana, mas sua recriação a partir da construção histórica e social do negro da diáspora.
Encontramos no Brasil, a manipulação do cabelo através dos cortes, tranças, penteados e diferentes estilos, e que esta pode ser considerada um dos aspectos da cultura negra em nosso país.
Muito interessante, não é verdade?
E o nosso país é privilegiado porque as nossas negras e pardas são as mais lindas do mundo!
Um abraço forte.
Maísa

5- VAMOS ENTENDER UM POUCO MAIS SOBRE OS CABELOS DOS BRASILEIROS?




A população brasileira é formada principalmente por descendentes de povos indígenas, colonos portugueses, escravos africanos e diversos grupos de imigrantes que se estabeleceram no Brasil, sobretudo entre 1820 e 1970. A maior parte dos imigrantes era de italianos e portugueses, mas houve significante presença de alemães, espanhóis, japoneses sírio-libaneses,11 poloneses e ucranianos.

Ressalta-se também que uma pesquisa genética realizada pela Universidade Federal de Minas Gerais apontou que em torno de 19% dos brasileiros brancos naturais da região nordeste são descendentes de holandeses,12 este percentual é muito maior no chamado nordeste setentrional, principal área de atuação dos cerca de oitenta mil holandeses que se estabeleceram na região por mais de duas décadas durante século XVII,13.


Nossos cabelos tem suas origens nos mais variados pontos de nosso globo.
Os pontos principais de coleta de cabelos, são por ordem crescente Asia, Brasil e Europa.
Cabelo Brasileiro - cabelos com origem brasileira. O cabelo brasileiro, é muito apreciado, por sua textura pela sua exoticidade, neste tipo de cabelo, se enquadaram varias especies, o liso, ondulado, o cacheado, preto, castanho e loiro, com fios grossos, medios e finos, tudo isto devido a miscegenaçaão de raças, existente no Brasil..
 Mas o que mais define o cabelo brasileiro, é ser um tipo de cabelo que nem é grosso, como o cabelo oriental, e nem é fino como o cabelo europeu do leste, mas fica nesse intervalo, sendo um cabelo encorpado, forte, lisos, levemente cacheados, ou muito cacheados.
 É um cabelo que se modela a quase todos os tipos de rostos. 


Levar em conta a carga genética e os fatores internos e externos dos cabelos é imprescindível para definir a coloração, o corte e o estilo de penteado que serão realizados nos fios
Cada indivíduo traz consigo um código genético que é herdado de seus antecessores. Assim, os cabelos traduzem a sua herança na forma, cor, espessura, resistência, elasticidade, brilho, resposta ao meio ambiente e aos tratamentos químicos.
Cada cabeleira se torna única, independentemente de sua etnia, por fatores internos e externos. Os primeiros podem ser caracterizados por hormônios sexuais, tipo de dieta, estresse e uso de medicamentos por tempo prolongado. Já os outros, por hábitos pessoais (usar secador e prancha de forma intensiva e sem proteção, dormir com os fios molhados), cosméticos usados no cuidado diário, produtos químicos de transformação (coloração, descoloração e relaxamento), grau de exposição ao sol e ao vento etc.
Mas, em geral, há algumas características e “comportamentos” que são comuns a um grupo de indivíduos. Essas características dão uma maior chance de prever o resultado de tratamentos químicos, assim como o tipo de corte e o estilo do penteado que valorize os traços naturais e os melhores produtos para o cuidado diário. No entanto, se a ação dos fatores internos e externos que se sobrepõem ao fator genético não for diagnosticada, com certeza os fios não vão responder positivamente.
A estrutura do cabelo é a mesma para todas as etnias, sendo composta por cutícula, córtex e medula. Mas o que determina a forma dos fios são os folículos capilares, minúsculas bolsas que variam em formato, tamanho e espessura, determinando a forma e a espessura dos fios. Ao se cortar um folículo transversalmente, pode-se observar que:
• os redondos dão origem a madeixas lisas;
• os ovais dão origem a cabelos ondulados;
• os espiralados originam fios cacheados.

As diferenças estão:
• no número de camadas, organização e alinhamento das cutículas, que conferem o grau de impermeabilidade e brilho;
• no modo como as fibras de queratina estão dispostas na região cortical, mais alinhadas ou contorcidas;
• no tipo e na concentração da melanina, ou mesmo na ausência total de pigmento;
• na existência de forma contínua ou intermitente da medula, característica dos fios mais finos,
• no folículo, que vai determinar espessura e formato dos cabelos;
• na facilidade ou não de deslizamento da oleosidade produzida pela glândula sebácea, o que determina o grau de fragilidade, aspereza, brilho, maleabilidade, elasticidade e sedosidade;
• na proporção de aminoácidos cistina, que determinam o número de pontes dissulfeto, responsáveis por fios mais rígidos e menos elásticos;
• na constituição do cimento intercelular, que pode ser mais rico, ou não, em determinadas substâncias emolientes naturais responsáveis pela maciez e sedosidade natural, ou pelo aspecto ressecado, áspero e arrepiado.

Três grandes grupos podem ser identificados na raça humana:
1. Asiático: o folículo das pessoas desse grupo é reto e perpendicular ao couro cabeludo. A velocidade de crescimento dos fios é a maior entre os três grupos, porém o número de folículos por couro cabeludo é o menos denso.
2. Africano: é menos denso que os asiáticos e os fios crescem mais lentamente que os dos outros tipos. O folículo se posiciona paralelamente ao couro cabeludo e é oval e achatado, muito fino e curvo, podendo ser todo contorcido. Os africanos produzem mais oleosidade que os caucasianos e asiáticos, e o sebo fica retido próximo à raiz por não conseguir deslizar até as pontas. Sem lubrificação, os fios ficam secos e quebradiços, e a tendência é que permaneçam curtos.

3. Caucasiano: possui variedade de forma, cor e espessura. O folículo se dispõe obliquamente ao couro cabeludo e sua forma varia entre lisa, cacheada e ondulada. Possui uma velocidade de crescimento intermediária entre os asiáticos e os africanos. As pessoas ruivas possuem uma menor densidade capilar, enquanto as loiras apresentam maior número de folículos, resultando numa cabeleira mais densa, porém mais fina.

4. Um quarto grande grupo deve ser destacado: o brasileiro, composto por pessoas que trazem em sua herança genética a diversidade. Avô índio, bisavó negra, pai japonês, mãe alemã... São raras as famílias que não têm histórias para contar sobre suas origens. Portanto, não se pode olhar rapidamente uma cabeleira e decidir seu destino.

Eu fico muito emocionada e feliz quando leio este texto e percebo que nossos cachos são diferentes e especiais.
Hoje fico por aqui, um grande abraço.
Maísa